terça-feira, 14 de junho de 2016

Ela só quer paz

Esses dias estava atualizando meu diário (que levo uns 3 meses pra lembrar que tenho um) enquanto via Titanic. Sempre que começo a escrever sobre minha vida no momento - e quase sempre coisas ruins ou deprimentes -, eu releio os textos antigos e vou desde meu medo do vestibular até as dores de amores antigos e, por mais que eu não tenha mudado tanto, percebo que a vida passa e o que sentia num passado próximo são sentimentos completamente diferentes no presente. 
E em um deles eu só tinha escrito numa letra de forma bem grande numa única folha com canetinha vermelha bem destacada "eu só quero paz" e esses dias, sintonizando no portal música da Net, ter ouvido uma música do Projota que falava sobre uma moça desacreditada no amor que só buscava paz me fez entender que eu só estou perdida. Não pude não notar que era eu descrita naquela música, não no literal da letra, mas no essencial, pelo menos, coincidentemente, eu sentia as mesmas sensações sobre minha vida agora, nessa terça-feira gelada de junho de dois mil e dezesseis. E muito menos irrelevei o fato de que eu venho buscando paz há anos. 
Apesar de estar vivendo num caos (levando em consideração meus textos recentes dos blogs escritos durantes crises e surtos) e eu querer morrer sempre, eu tô tentando transformar tudo ao meu redor em poesia, o modo poético me traz calma mesmo quando o dia está cinza, chuvoso, com uma música triste de trilha sonora e vontade de chorar. Apesar de o mundo estar às avessas e ter me feito tido vontade de ser sufocada pela minha bronquite asmática, eu bebo café, respiro o cheiro do cigarro, ironicamente, e só penso em dançar. Meus problemas parecem desaparecer quando eu enxergo um submundo nos meus dias melancólicos e eu dançava. 
Tenho uma tendência a me apaixonar por pessoas que, todas outras pessoas fazem questão de deixar bem claro, não são nada mais que pessoas passageiras na minha vida e que eu, apesar de sempre ter esperança, tenho uma ideia clara disso. Mas eu não consigo me impedir de se importar, de gostar, de sentir imensamente (quase sempre a dor da rejeição) e ser livre, de uma forma estranha. 
Estou gostando de uma nova pessoa que não sente o mesmo por mim. Ele é amigo dos meus amigos e sequer se importa como estou nessa situação e o que as reações dele causam em mim. Tô triste. Graças aos meus gigantescos outros problemas, quase não tô surtando com isso. Mas quando tô nesses meus momentos de pensar o que tá acontecendo na minha vida, quase sou baleada pela realidade de que eu. novamente. tô. apaixonada. e que, mais uma vez, não é recíproco. Porém, diferente das outras vezes, eu resolvi não tentar acontecer mais do que o que aconteceu (e já acabou) entre nós dois e pensar somente em mim. 
Tomei 8 xícaras seguidas de café, fiquei bem energética e cantei Stressed Out em cima do sofá. Tirei nota máxima na prova de produção de texto. Me senti bem. Por um momento. Encostei a cabeça no vidro da janela do ônibus e pensei que nossos olhos poderiam ser câmeras fotográficas que captariam os momentos de versos livres para sempre (pois eu tenho uma memória péssima). Eu quis morrer. Quis chorar. Quis rir. Principalmente gritar. Me senti triste. Mal. Desinteressante. Agora estou deitada pensando em como seria legal se ele me visse da forma que eu vejo ele. Me permitindo abrir mão de alguns minutos da minha pré madrugada de sono para sorrir ao lembrar daquele sorriso lindo daquela boca bonitinha. E sofrer. Claro. Sofrer nunca é demais. 
Eu atualizei meu diário. Incluí minha nova paixão, minhas novas dores, minhas novas epifanias. E, com toda licença poética, apesar de estar muito triste, eu me sinto bem. Eu me sinto em paz. 

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