eu não sou sozinha.
Tenho meus amigos, minha família (mesmo que na maior parte eles me enlouqueçam), tenho desconhecidos que eu vejo quando vou trabalhar, conhecidos que por acaso não são amigos, colegas, meus cachorros e meus amigos literários e de séries. Mas nenhum deles me escapam a sensação de solidão. A sensação de que eu não sou, mas que eu me sinto sozinha.
Essa semana tem sido complicada e eu num outro estado poderia dizer que foi uma semana boa. Eu trabalhei, ganhei dinheiro, meu crush veio conversar comigo, meus amigos conversaram comigo, as coisas foram boas. Mas eu não senti isso.
O tempo todo eu só não via a hora de chegar em casa e deitar no colchão pra olhar o teto enquanto ouvia minha playlist Melancolia. Não via hora do expediente acabar para eu ficar longe de qualquer pessoa. Não via a hora que eu teria a oportunidade de entrar num banho com a água escaldando de tão quente e chorar. Eu só queria chorar. Tudo que eu tenho tido vontade se fazer desde que fevereiro começou foi desistir de tudo e chorar.
E eu não posso dizer que não tentei. Comecei 2016 tentando almejar coisas grandes, tentando evoluir minha vida, conseguir acalmar minha espiritualidade. Tentei ver o tanto de coisa boa que eu tenho e tive, coisas boas que aconteceram. Por um tempinho funcionou, pois eu me cegava para as coisas ruins e focava nas boas. Mas depois as ruins foram crescendo até chegar num ponto que eu não pude ignora-las ou nem corrigi-las. Coisas ruins acontecem o tempo todo.
Eu tentei, talvez não o suficiente. Eu poderia ter ido atrás de um psicólogo (plano no qual to procrastinando desde ano passado), atrás de um médico pra me medicar uma cura ou retardamento dos meus surtos de ansiedade. Mas mesmo sabendo que tudo isso é o correto, buscar ajuda, eu só quero desistir. Eu cansei de tentar e eu não tenho vontade mais.
Eu sei lá, eu só me sinto mal. Hoje eu surtei porque minha mãe rasgou (e grudou todos uns nos outros) meus pôsteres, principalmente do Kurt Cobain (e eu nem sou fã de Nirvana) e eu surtei. Rasguei todos meus pôsteres (que poderiam ter salvamento) em picadinhos, gritei, chorei, xinguei, pulei, esperneei e agora estou aqui, escrevendo pelo meu celular, logo depois de ter desativado minhas redes sociais, me olhando no espelho e percebendo quão ruim eu sou. Não sou uma boa pessoa e tô arrastando todo mundo pra esse meu calvário.
Acho que o tempo todo eu não estive sozinha, eu estive aqui. Apesar de ser uma péssima companhia, eu estou aqui. O tempo todo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário