Sinto-me que estou presa em paredões com uma opção de ida (sem volta) e, justamente essa, não é muito boa. Tá difícil suportar a claustrofobia que esses paredões estão me fazendo respirar fundo. E, como em Jogos Mortais, parece que eles se fecharão e eu, entre eles, morrerei esmagada (ou, caso contrário, me sufocarei).
Perdi minha fé. Na vida. Nas pessoas. No mundo. No amor. Na paz. Todo dia deparo-me entre essas duas paredes e vejo tudo afora desmoronando. Pessoas matando as outras. Gente passando fome. Mulheres em guerra pelos seus direitos. Luta contra o racismo (que inacreditavelmente ainda existe). É tanta coisa acontecendo lá fora e, ao mesmo tempo, tanta coisa acontecendo aqui dentro - que me sinto egoísta em estar pensando no meu bem estar quando o mundo tá se esgotando.
Não tá fácil. Eu não sei se me preocupo com o alheio (cujo é impossível não se preocupar) ou se me preocupo com a confusão que está sendo minha vida. Eu estou tentando me preocupar com os dois, porquê, de uma forma, o mundo me pertence também.
Eu só estou cansada de tanta guerra, de tanta luta de ego, de ser humano escroto decidindo quem vive e quem morre, de tantas coisas absurdas que não deveriam estar acontecendo. Poderia tudo ser tão simples, pra que complicar? Poderia estarmos todos buscando a paz e não em luta na guerra. Não tá certo.
Não tô bem. Sinto que qualquer dia meu paredão vai fechar sim. É tanta coisa para o pouco nada que eu suporto. Minha família tá me enlouquecendo. Meus sentimentos estão me enlouquecendo. O mundo tá me enlouquecendo. O mundo tá acabando e, ao contrário da Natasha, não quero dançar, só quero ficar sozinha e longe de tudo. Desmoronar-me solitariamente no meu canto quieta.
Ainda tenho esperanças de que as coisas possam ficar bem. Só queria que no meio de tudo isso tivesse um caminho alternativo entre os paredões, para que, eu, pudesse respirar e me sentir calma. Pacificada.
E qual a finalidade de tudo isso? Para que? Não sei.
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