sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Fake Plastic Love

ou um texto sobre mudanças.

Dia 09 de novembro faria 5 meses que eu estaria com a pessoa que eu, não juro amar, mas estava quase amando. Estava loucamente apaixonada. E todo dia nove, de mês após mês, eu penso: nossa, como poderíamos estar sendo felizes juntos. Como eu poderia idealizar meu futuro com alguém que sente o mesmo por mim. Mas não foi isso. Tudo bem.
Às vezes, eu estou deitada e penso que eu superei, surge até uma alegria, uma irradiação ou dias quando eu não stalkeio o face de ninguém, dias em que o centro da minha vida sou eu. Eu me sinto bem quando surge essa sensação, mas aí meu cérebro quer ir além, quer voltar no tempo e repassar momentos e mais momentos. Meus sentimentos voltam. A saudade volta. A superação some. O aperto de que ele nunca mais será meu retorna. O medo da solidão se torna mais nítida. Eu só choro e fico pedindo aos deuses para que uma mensagem dele no whats ressurja. Mas quando eu penso melhor, percebo que ele não é o melhor pra mim.
Quase três meses já, faltando quase um mês para o vestibular, minha sanidade está um pouco subentendida. Acordo e respiro fundo, penso em palavras como "gratidão", "amor", "paz", "alegria", "sorrisos" e, por fim, minha preferida, penso no mar e sua imensidão. Eu me sinto muito melhor e tento ver o lado bom de todas as coisas, tiro fotos de toda flor, todo desenho, toda pixação com frase bonitinha ou um grafite muito maneiro, desenho coisas aleatórias, procrastino meus estudos e, assim, vou vivendo. Dia após dia, repito que tudo vai dar certo. Porquê vai.
No momento estou procrastinando novamente meus estudos por simplesmente não ter o pingo de vontade de estudar. Estou ouvindo Radiohead, inspirada e positiva. Tô na minha melhor forma planejando o cardápio do almoço/ janta da semana que vem e o que comprarei de saudável sem qualquer carne dos animaizinhos.
Minha rotina anda maluca. Acordo em horários desconexos graças ao horário de verão, não danço mais (logo estou engordando mais), faço o almoço e vou para o curso. Volto, procrastino, me sinto culpada, vejo um filme ou outro e fico surtando com os amigos. Durmo e tudo repete. Tá insuportável. Minha vida está sem sentido e meus pensamentos estão me aniquilando. Porém respiremos. Afinal, eu tenho que lidar.
A complexidade desse texto é só para dizer que eu evolui muito mentalmente, amadureci muito nas escolhas da minha vida, passei a entender mais de políticas, adotei ideologias ótimas e que me ajudaram a ver o mundo com mais clareza, comecei a me aceitar mais. Aceitei o meu cabelo natural, meu corpo, meus ciclos de amizades, os lugares que frequento, a minha família louca e desestruturada. E agora, estou em luta para aceitar que amores vêm e vão. Outros ficam. Dão certo. Acontecem. Acabam. Cada um segue em frente da sua melhor forma.
Eu mudei, eu não sou mais a Paola de 2013, nem a de 2014. Eu não sei quem são elas, nem sequer sinto resquícios delas em quem eu sou agora. Minha vida é feita de ciclos e, em cada dela, eu sempre procuro me tornar alguém melhor e aceitar as coisas que não dão para mudar em mim, mas sempre tentar melhorar espiritualmente, socialmente, ideologicamente. Eu sigo em frente. Afinal, sou uma mulher de fases e ainda tem muito amor espalhado pelo mundo. 

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