Não fingirei simpatia e que não estou cheia dos problemas, surtando toda hora e querendo gritar sempre (quando tem que aguentar essa vontade e respirar fundo). Minha vida, quando penso que ela pode estar melhorando, um pouquinho que seja, vem uma onda e espalha tudo. Volta tudo desde o começo e dá errado. É como se eu estivesse dando restart diversas vezes, mas não para recomeçar, e sim sentir novos problemas cada vez mais intensos.
Minha vida não tá fácil, mas a vida do fulano x também não e a do fulano y pode estar melhor, mas fácil também não está. Essa é uma questão generalizada sobre a vida e acho que podemos considerar um fato. A vida, ela, não é fácil. Uma hora tudo pode parecer perfeito (mesmo que tenha sempre os probleminhas que não somem, incomodam, mas não estragam a alegria do acontecer. Ou seja, são insignificantes comparados a felicidade), tudo pode estar dando certo e as coisas, de fato, sempre estarão acontecendo. Mas em outra hora qualquer, do nada, sem mais nem menos, sem nós percebemos que aquilo já estava mal desde o princípio, mas estavamos anestesiados pela calma das coisas estarem dando certo, o jogo vira. Elas dão erradas, nós desmoronamos e demoramos para nos recuperar.
Eu não superei ainda o vestibular que não passei, nem que meu pai não se importa comigo e não me liga uns anos, ou que o garoto que estou apaixonada e tentando superar não gosta de mim, que meu vô está num estado crítico de saúde e, principalmente, mentalmente. Que todas porras de dias eu reluto com a saudade que eu sinto da minha tia, com as coisas que eu tento esquecer que me atormentaram no passado e resolveram vir à tona numa fase errada da minha vida. E a sensação de que sou uma inútil que não passará novamente no vestibular, ou que eu me sinto triste quase toda parte do meu dia (senão toda) e que às vezes eu penso que morrer agora não seria assim tão mal.
Mas não. Eu estou respirando fundo pela milésima vez e acreditando que as coisas darão certo. Com uma certa dose de impaciência e grosseria, mas ainda sim acreditando, tentando ser positiva e fazendo o máximo para que elas, pelo menos, aconteçam. Sendo más ou boas. Escrevo poesias, imagino futuras tatuagens, fotografo coisas simplórias e cotidianas, leio meu livro preferido, escrevo cartas no meu diário, desenho meninas com rostos floridos, tenho amado meu cabelo todo encaracolado e armadão mesmo, comecei aceitar conselhos dos amigos e tentar levar como uma lição para que eu possa melhorar. Criei uma rotina saudável (mesmo que eu esteja me privando de uma das alegrias da vida que é comer coxinha), tenho caminhado e dançado. Tenho tentado ser eu mesma.
A verdade é que eu complico demais coisas que poderiam ser simples. Olho sempre para coisas que estão dando erradas e não para as que estão dando certas. Penso demais no que pode dar errado num futuro (que eu nem sei se aconteceria) e deixo o medo de me magoar, de novo e de novo, me privar de experiências legais. Crio minhas ideologias sem nexos e sigo elas à riscas, quando na verdade eu deveria dizer foda-se para elas e ser somente eu. E acima de tudo tenho que parar de pensar no que as pessoas acham de mim, o que pensam, o que opinam. Eu sou a dona da minha vida e eu faço as coisas que eu tiver vontade. E é nisso e nada além disso que eu devo me focar.
Como a Cristina disse para Meredith, ela é o sol. E eu, eu sou o sol da minha vida. Eu tenho que me amar, tenho que amar as pequenas coisas que me tiram um sorriso, os vestidos floridos que tanto amo, os amigos que sempre (mesmo quando eu sou insuportável) estão comigo.
As pessoas que tiverem que permanecer na minha vida, permanecerão. E as que forem embora, não aguentaram uma sobrecarga psíquica e, bom, eu, pelo menos, tive o prazer de tê-las, pouco que seja, na minha vida.
As pessoas que tiverem que permanecer na minha vida, permanecerão. E as que forem embora, não aguentaram uma sobrecarga psíquica e, bom, eu, pelo menos, tive o prazer de tê-las, pouco que seja, na minha vida.
Eu sofrerei muito por amor ainda. Chorarei por muitos meninos. Perderei muitas pessoas que amo, amigos e familiares. Terei muitas delas que só estarão de passagem e aquelas que estarão sempre. Amarei e odiarei a vida o tempo todo. Vou querer morrer sempre, mas vou querer viver muito. Mas a vida é isso, uma música triste do Radiohead que, às vezes, pode se tornar uma balada da Cindy Lauper. Afinal, girls just wanna have fun. A vida não é simples, mas com jeitinho a gente segue em frente. Aliás, é vida que segue.
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