segunda-feira, 11 de maio de 2015

The reason

Ontem eu me peguei sorrindo olhando pra foto de um alguém que há uns 3 meses atrás significava meu eu inteiro, ocupava quase metade do, senão todo, meu coração e me fazia sorrir com apenas um oi. Eu estava com um sorriso, aquela pessoa ainda significava algo pra mim, ela ainda causava borboletas no estômago (nunca entendi bem por chamar assim, ainda tenho um significado diferente para tal) e fazia minha cabeça doer de tanta saudade - ou seja mais um sintoma de ser ignorada.

E a noite aquele sorriso me deprimiu, eu pude perceber que não estava feliz, completa por ter alguém só através da fotografia. Eu sou daquelas que consome a pessoa por inteiro, que quer estar por perto para gravar cada ruga no canto dos olhos, cada articulação do rosto, cada cicatriz e pintas. Sou daquela que precisa relar para saber que ela está ali comigo, até o fim, se possível. E essa pessoa nunca esteve e, provavelmente, nunca vai estar. 

Naquele momento eu estava amando, mas não estava sendo amada. Baseada nas minhas experiências literaturais (nem sei se esse termo é apropriado nesse contexto), tudo se tornava bonito quando era recíproco. Quando o Eurico amava a Hermengarda, Bentinho se enciumava pela Capitu (um tiro no escuro, eu sei) ou quando Carolina e Augusto eram predestinados. Talvez isso de "alma gêmea" não exista e por mais que me digam que amor faz a pessoa sofrer, que talvez felizes para sempre seja apenas um mito dos contos de fadas, eu prefiro ser positiva quando se trata disso. 

Posso estar equivocada ao estar ouvindo Hold on e estar justamente pensando em finais felizes quando meu "carrossel" continua girando, quando eu perco tempo procurando roupas para ir ao curso, quando gasto dinheiro com bebidas e dedico meu dia para pensamentos que sugam minha alegria. Mas ter uma segurança, uma crença em um sentimento que me faz rir só de pensar nele sendo real, me conforta. 

Eu sorri vendo uma foto de alguém que não me amava, eu chorei também (dizem que isso é normal quando se trata de mim) e fiquei boba pensando em alguém, um dia, acordando, olhando pro lado e sorrindo ao me ver dormir. Eu estaria ali, carne e osso, sendo amada e, não através de uma cópia, seria recíproco. E eu sorri, não pela pessoa que estava na foto, mas por eu ainda, apesar de tudo, acreditar no amor. 

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