sábado, 2 de maio de 2015

24 floors

Tô encarando o fato de que fiquei horas chorando, que estou com o rosto inchado e os olhos vermelhos e ardendo por causa de um episódio de uma série. O problema não é em si ficar de luto por causa do personagem que morreu, chorar por uma perda de alguém ficticio, mas sim encontrar sua vida ali. Eu não perdi ninguém,  mas tenho me perdido. A cada minuto que estive chorando por causa dos flash backs, por causa da determinação e coragem da personagem ao encarar a perda e recomeçar tudo novamente, estive chorando por eu estar aqui num beco sem saída, vulgo vida, sem saber o que fazer. Nem retroceder e recomeçar novamente. 


Eu não fiz nenhum texto exclusivamente sobre 2015. Falando detalhadamente sobre como esses 122 dias têm arrasado comigo (e arrasado ali é negativo). Primeiramente tive que encarar que não passei no vestibular, que estou dia após dia num cursinho que eu não suporto mais ir, estudando matérias que eu não suporto mais ouvir e encarando pessoas desconhecidas que te olham como se estivessem olhando sua alma e desgostassem do que estivessem visto. E sem contar com uma tristeza sem causa que na verdade, no fim, tem causa me acompanhando por onde quer que eu vá. 

Hoje, excepcionalmente hoje, 02/05/2015, eu estou no meio de uma crise que me motivou a querer recomeçar, mas que por dentro de mim está tudo deplorável. Eu estou magoada, triste, sem a mínima vontade de viver, mas sem deixar relevar o fato de que eu tenho coisas a agradecer - mesmo que as coisas ruins se sobressaiam. Eu tô com uma determinação, aquelas do tipo de começar caminhada, meditar, respirar fundo e devagar. Talvez começar balé, dança contemporânea, tocar qualquer instrumento, aprender a desenhar ou até mesmo escrever um livro vão desviar a minha atenção dos problemas que me corroem. Não posso deixar de lado o fato de que vou ter que encara-los, mas não posso também se esquecer de que eu sou o astro da minha vida e mais ninguém. 


Acho que tenho perdido tanto tempo valorizando coisas bobas, se importando e dedicando minha vida a elas que esqueci dos meus objetivos. Encontrar minha essência. Minha vida é algo involuntário e indesejável. Por mais mórbido que seja, não é novidade alguma que eu queira morrer, queira encontrar algum tipo de solução permanente pra tudo. Mas eu não vou morrer agora, sei disso, mas também não posso continuar vivendo assim. 

Não quero ser positiva, pois o que mais me irrita são as pessoas vendo o lado bom da vida enquanto você não enxerga isso, mas quero ter esperanças. Preciso delas pra passar por cima dos acontecimentos desse ano e seguir em frente. Não estou satisfeita vivendo assim e eu preciso de um tempo meu, clarear meus pensamentos, afastar tudo/ todos que me negativam e me encontrar.


"The carousel never stops turning" e deve haver um jeito de descer desse carrossel. Quero manter essa minha tristeza que, como meu amigo diz, é um tanto poética e gratificante. Faz parte de mim. Ser a garota triste, "suicida", chorona, problemática, mas também ninguém é cem por cento triste. Eu estou perdida no meio do meu carrossel tentando encontrar uma saída e pensando numa alternativa melhor do que se jogar desses 24 andares (uma metáfora para a música 24 floors).

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