Eu tenho estado com um sentimentalismo instável e deplorável. Estou há dias rejeitando a ideia de que eu preciso escrever para me sentir (talvez mais importante?) menos sozinha. Hoje foi um daqueles dias em que, além de eu estar doente, tive uma daquelas crises de solidão e aquela súbito desejo de ombro amigo. Eu nunca me senti tão sozinha. Realmente.

Meus últimos dias têm sido uma maluquice sem causa. Eu estou tentando domar meus sentimentos, lidar com minhas desilusões amorosas e aquela ansiedade do vestibular que voltou a me atacar. Na verdade, estou tentando lidar com a minha crise de chorar toda hora, inclusive nas aulas do cursinho.
Ontem, eu estava sem internet, sem tv e sem a minima vontade de estudar. Só tinha eu e a companhia do meu irmão. E me lembro de quando eu deitei no chão, sozinha, para olhar o céu e a sua imensidão. Esse momento foi um daqueles em que eu congelaria tudo, só para ter ele registrado pra sempre em mim. Porquê tudo combinava, o vento, aquele friozinho, a música, as estrelas, o céu, a lua e meu sentimentalismo. Todos eles formavam um conjunto que me dava vontade de chorar, mas por uma coisa boa. Porquê eu me sentia viva, como se a minha vida fizesse sentido. Como quando eu digo que me sinto escutando as minhas músicas preferidas olhando o ventilador. Me sinto completa.
Tenho perdido em mim a única coisa que eu sempre me empenhei, gostei de fazer: escrever. Nunca tive um dom pra isso, mas eu tinha a vontade de vir aqui sempre desabafar - mesmo que confusos, contar sobre meus problemas e minhas crises. Mas eu não sei, algo aconteceu comigo e eu não sei mais escrever sem me sentir forçada, não sei mais escrever meus sentimentos chorando e logo em seguida sentir aquele alivio, dar aquela suspirada e ter aquela sensação de que: a vida está droga agora, mas vai melhorar. Eu sinto falta daquele meu otimismo paradoxal. Me sinto perdida.
Essa semana foi um tanto anormal. O que não é um tanto anormal, eu me apaixonei e pela primeira vez eu me declarei. Foi a única coisa que fiz por mim e me entreguei inteiramente. Bom, o resultado já devem saber, ou eu estaria contando algo feliz aqui. O estranho de tudo isso é que eu não estou com raiva. Eu fiquei triste, muito triste, tive que chorar muito para superar, mas essa rejeição me fez olhar meu futuro com mais ambição. Porquê, uau, eu sou uma mosca morta. Não corro atrás dos meus objetivos. Não como deveria. E isso me fez mal. Eu deveria ser uma adolescente de quase 18 anos cheio de histórias, ambições, momentos. E não essa garota melancólica.
Ontem, quando deitei no chão, eu me senti viva, mas, como previsível, não pude deixar aquele súbito desejo de que um meteoro caísse em mim.. Ao mesmo tempo que eu tive esperanças, eu desejei estar morta. Por toda minha existência eu quis estar morta. E o engraçado disso tudo é que ninguém sabe que eu estou me sentindo assim.
Eu sou uma garota transparente, todos sabem sempre como me sinto e eu não tenho problemas em contar sobre minhas melancolias, desilusões, sobre as coisas que importam para mim. Tenho atitudes um tanto impulsiva e acho que isso desvaloriza a minha essência. Meu Deus, tudo que eu tinha desejado hoje o dia todo era um amigo conversando comigo no whats, ou algum abraço. As vezes não se trata de despejar os seus problemas nos outros e sim ter alguém te transferindo esperanças (como a Arizona para a Herman). Alguém que acredita em você.
Tenho desejado que alguém sentisse minha falta. Queria contar sobre como meu relacionamento com a minha mãe, mesmo estando estável, não está bom ou que eu tenho problemas com meu pai e isso está me devorando por dentro. Sou transparente, mas nem sempre se trata de paixões não correspondidas e sim a falta de algum amigo e de um abraço.

Não sei mais do que preciso. Eu estou enlouquecendo, chorando nas aulas do cursinho, desejando coisas ruins para pessoas que nunca me fizeram nada, pensando loucamente em coisas absurdas e sendo corroída por todo esse sentimentalismo guardada em meu peito. Como uma garota dramática, que eu sei que sou, e solitária, precisava desabafar nas minhas entrelinhas. Porquê as vezes só precisamos compartilhar o que sentimos com mais alguma coisa, alguém, qualquer pessoa. Talvez isso me faça sentir menos louca nesse mundo sem sentido.
Estou tentando mudar quem eu sou para, sei lá, me sentir mais feliz, viva, com algum significado nesse mundo de merda. Eu tô louca e me perdi de mim. Não sei quem mais sou e o que estou buscando. Não sei de mais nada sobre minha vida. Estou perdida.
[Porquê a saudade é grande, a solidão devastadora e a tristeza nos consome por dentro.]
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