segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Breathe me

Neste exato momento, estou meio que respirando fundo à cada minuto e recapitulando cada momento das minhas férias. Sim, pelo rumo que a minha vida está tomando, eu estou entrando em uma crise daquelas em "eu não faço a minima ideia do que estou fazendo com a minha vida" e chorando vendo filmes indies românticos - e, alguns, sanguinários também. Definitivamente ouvir músicas, assistir filmes e comer doces (olhar o céu também), me acalmam.
 
Ontem eu deletei o whats, de um tempo pra cá privatizei meu blog, dei um tempo nas minhas leituras, e ouvi uma música da Ellie, no minimo, 37 vezes seguidas (e aprendi cantar). Eu não sei o porque de estar fazendo isso, mas estou tentando dar um tempo para mim, de uma forma, para o meu eu espiritual.


Ultimamente tenho me sentido tão perturbada, problemática, louca e tenho sido uma péssima pessoa, daquelas em que não estou pra ninguém e, quando estou, trago vários textos conselheiros terríveis. É como se eu fisicamente e conscientemente estivesse, mas a parte mais importante, a espiritualmente, a minha alma não estivesse. É quase um tom um tanto demoníaco - e impessoal, claro -, mas é como se eu estivesse avidamente fora de mim. Tenho me sentindo um nada, literalmente. Uma pessoa abismada e sem ambição, desejos ou coisa do tipo.

Quando comecei a escrever esse texto, não pensei que o traria tanto para o pessoal. Mas agora é um daqueles momentos em que eu não estou me importando com o que as pessoas vão pensar, com a ética e a moral, e deixando meus sentimentos à flor da pele dedilhar baboseiras sobre minha imensidão particular. Confusamente imenso e particular.

Eu dei tempo ao meu tempo. Não sei se essa última semana das férias - exatos nove dias, me extorquindo dos meus vícios onlines, das minhas fotinhas sem nexo e da minha liberdade com as palavras, vai me dar o que estou procurando que, bem, ao certo, nem eu sei o que estou buscando, apenas estou.

Sei lá, minha idealização, ainda bem mais do que morar na Austrália, é dirigir sem rumo. Eu tenho uma ambição tão grande por esse desejo. Eu acredito que Into The Wild, Cage The Elephant, Elizabethtown - e até mesmo os besteiróis americanos - me deram esse desejo. Sair sem rumo, conhecer lugares inusitados, pessoas desconhecidas sem ser da sua cidade, sentir o vento enquanto a trilha sonora da sua vida ilustram toda sua caminhada. É como se encontrar numa viela qualquer, num restaurante enigmático, em uma única pessoa. Isso tem sido amor à vida para mim.

Eu não amo a vida, antes de tudo, eu tentei e continuo tentando. Com as minhas positividades nada convincentes, com a frase do Bukowski ilustrando meus pensamentos: "Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos.", trilha sonando com Legião Urbana e o acaso que vai me proteger nas letras dos Titãs. Eu só acho que ainda não encontrei aquilo que vai me trazer a minha essência perdida. Eu digo aquilo, porque a minha parte romântica e feminina espera que seja alguém, mas a vida é mais do que amor entre pessoas. E, sei lá, minha busca é incansável e estranha.

Eu não busco à morte, mesmo desejando morrer o tempo todo. Eu quero buscar o motivo para morrer. Morbidamente, quando eu encontrar meu conatus - obrigada Espinosa! -, a minha essência que tende a permanecer em meu ser, quero morrer. Ou seja, antes de tudo eu quero viver. Porque esses meus dias cinzas, no quarto com o ventilador e a minha playlist: "I just wanna die", não é viver. E sim respirar e aceitar os monótonos dias.

Eu me dei esse tempo de uma semana, os únicos dias dedicados aos meus filmes na lista que nunca assisto, das minhas séries em pendências, as minhas novas descobertas musicais, as minhas leituras, porque eu falhei. E, essa parte minha que vos escreve, estaria desejando que a incerteza do vestibular fosse o meu maior problema, mas não é. Eu falhei, falhei, falhei e continuo falhando. Mas como eu estou tentando ser positiva... Acredito que eu terei minha grandeza quando buscá-la e essa determinação involuntária vai me ajudar (não só com o vestibular...).


Claire Colburn: So you failed. Alright you really failed. You failed. You failed. You failed. You failed. You failed. You failed. You failed. You failed. You failed. You failed. You failed. You failed. You think I care about that? I do understand. You wanna be really great? Then have the courage to fail big and stick around. Make them wonder why you're still smiling.

Eis que aqui está mais uma dialogação com o meu eu esquisito e transparente - com tons azulados. Como eu sei que o Yellowcard não estava literalmente falando de um apartamento vazio em Empty Apartment - ou eu tenho problemas bem mais sérios do que eu pensava -, estou dando um tempo ao meu apartamento vazio e a minha súbita vontade de deitar na areia da praia com o céu estrelado, sentindo a maresia, ouvindo os sussurros do mar e chorar. Porque eu cansei de chorar e estou tentando ser madura, não controladora obsessiva e independente sentimentalmente.

Take you away from that empty apartment 
You stay and forget where the heart is

Talvez isso seja a melhor coisa que eu tenho feito para mim em toda minha vida. Agora, como alguém que está esperando algo de bom, estou tentando seguir em frente e me adaptar com os acasos que a minha vida tem levado. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário