quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Past Imperfect

Bem, meus últimos texto são uns claros exemplos de eu ter privatizado o blog. Eu não sei, mas esses três últimos dias que eu passei sem internet me fez pensar tanto em meu eu presente, no meu futuro e essas minhas inúteis crises de raivas que me deu medo. Talvez seja por isso que privatizei, tenho medo de que as pessoas me conheçam de verdade. Tenho medo. 

Um amigo meu me motivou a vir escrever aqui, agora, em público sobre o tal assunto que eu vim escrever. Nunca tenho um assunto para meus textos, eles simplesmente são sobre meus sentimentos confusos, ou quase sempre. Mas esse é um tanto particular.


Então, o passado é algo que atormenta todo mundo, alguns minuciosamente e outros numa grande intensidade. Eu não vou mentir, tem coisas no meu passado que me incomoda e, talvez, sejam essas coisas que me motivam ser quem eu sou. Não quero escrever nada tão motivacional, porque, honestamente, não estou em tais condições. Mas não acredito que o passado nos condena. Sei lá, acho que o passado de uma forma tem intensidade em quem somos agora, ás vezes, nos incomoda tanto, mas acho que o presente é quem triunfa acima de tudo e todas ações que fizemos. 

Me lembro de uma aula de filosofia sobre Espinosa, que dizia que todos nós somos nosso próprio conatus, que temos a potência que parte de nós mesmo, da nossa essência. É como se quem somos fossem uma essência única nossa e por isso somos conatus. Pois ela se esforça em permanecer em seu ser enquanto pode. E numa tentativa frustada de entender isso (ainda estou tentando), pensei, durante a aula, no estuprador, ele estupra e suponhamos que ele iria preso, se arrependesse e nunca mais estuprasse ninguém, logo, estuprar não seria mais seu conatus. Eis o sentindo que estou tentando chegar, em minha opinião - e sem querer desrespeitar a teoria de Espinosa -, acredito que nós mesmo criamos nosso conatus. Não acredito que sejamos destinados a termos uma só essência. 

As pessoas cometem erros o tempo todo. Eu, hipocritamente, não perdoo algumas pessoas pelo passado e talvez eu as julgue quem elas são agora pelas antigas atitudes. Mas se tudo baseasse no passado, as pessoas não teriam mais futuros, não existiria segundas chances ou perdão. É um tanto hipócrita dizer isso, e eu estou tentando mudar isso em mim, mas eu tenho crenças. E talvez elas estejam abrindo minha mente para novos conceitos. 

Bem, eu ando tendo dificuldade em escrever e conceituar meus pensamentos. Todos textos são confusos, sem nexos e sentidos. Mas é isso, eu parei de acreditar no passado quando ele decidiu por outras circunstâncias definir quem eu sou. Meu passado é um lixo, meu presente anda sendo tão mal e meu futuro está basicamente nas mãos do acaso. Eu não sei mais lidar com a minha vida e estou com dificuldades sobre eu agora. Não sei de muita coisa, mas sei que eu posso ser quem eu quero se apenas me dedicar a ser quem eu pretendo ser. A vida é assim mesmo, fazemos coisas sem sentidos e absurdas, mas elas não definem quem somos. São coisas tolas e somente isso, não são nossos sentimentos, nossos pensamentos, nossas paixões. São só nossas antigas atitudes que, de uma forma, está se remoendo no presente e se for pensar bem, de uma forma boa, está nos transformando em algo melhor. Alguém sempre em busca de coisas boas. 


Pela primeira vez, eu escrevi tão abertamente e sem medo do que vier. Eu tenho medo de dizer sobre meus sentimentos tão honestos para certas pessoas, tenho medo de me julgarem ou me futilizarem. Se eu deixasse meu passado me definir, eu estaria morta já. Porque sim, eu nunca fui uma pessoa que sempre desejou estar viva e, talvez, essa boboca que eu me tornei me fez ter medo da única coisa boa em que se pode ter medo: morte. Então esse pode ser um único texto com um final triunfalmente positivo, mas se a tal pessoa ler, saberá que esse texto foi inteiramente dedicado à ela. Eu quero que saiba que ditados são só ditados, nada mais. E que o passado é só momentos que já passaram, e o presente que importa. E eu amo quem você é no presente. 

Só uma pequena observação final: Por isso existe o passado, pois ele já passou. Eu era, você era, não somos mais. 

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