quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

The way it was

O esquecimento é inevitável. Acho que o futuro é incerto para a maioria das pessoas. Porque pessoas morrem o tempo todo e isso, eu acho, é a pequena grande porcentagem do que não terão o infinito. Cá entre nós, o infinito é tão grande quanto para sempre e isso é tempo demais para todos domarem a felicidade todo dia. Mas, uma parte tão inferior e a que acredita em finais felizes, acredita que as pessoas morrem porque de uma forma elas se sentiram infinitas. Elas foram felizes da sua melhor forma, até aquelas que a tristeza fazia parte dos seus cotidianos sentiram a plenitude do interminável.


O futuro é tão incerto quanto o presente. E aqui estou eu, escrevendo sobre se sentir infinito, o interminável e aquele momento em que o mundo ao seu redor se desfoca e o único momento que você precisa pra se sentir viva é aquele onde todo seu foco está concentrado. No momento, eu ando vivendo em um mundo desfocado, em procura do meu foco, tirando fotos de estranhos e olhando as rotações do ventilador com alguma trilha sonora. De uma forma engraçada, esses dias em que a solidão me aflige ou que eu danço sozinha no meu quarto é quando eu me sinto viva. Sinto a esperança de que as coisas vão dar certo e que meu infinito está bem na minha frente e só eu não enxergo, minha visão se ajustou ao desfocado.

A verdade é que eu tenho me adaptado tanto a minha solidão, ao meu tom e minhas reticências que eu tenho medo de não me sentir infinito antes da minha morte. Eu quero morrer sempre, mas eu quero antes de tudo viver. Soa paradoxo, mas eu quero sentir a infinitude daqueles dias longos, das músicas correspondentes e dos filmes onde o amor é seu astro principal. Eu quero sentir a infinitude da minha rotina. Eu quero o sentido da minha vida. Eu quero me sentir infinito. 

A melhor parte de mim acredita que não somos só chegadas e partidas, que cada um tem o seu porquê no mundo, os seus porquês. Mas a parte mais importante de mim, acredita que a morte é inevitável e que, talvez, ela seja a solução pra tudo. Pros dias azuis sem vida, para as músicas sem o tom, para os ventiladores sem rotações, para as vidas sem infinitude. A morte é só um processo final e a vida a estadia.


Eu tentei desde o princípio do texto, não transformá-lo em uma guerra pessoal. Mas isso é uma outra parte de mim que eu desprezo, a que transforma qualquer desfoque do mundo em um foco pessoal. Antes de concluir esse "texto" paradoxal, eu só queria expor que estou em busca do meu infinito, do meu grande talvez, do meu um dia, da minha noite com um quê de mistério... Em busca das melhores sensações que os livros e as músicas nos afirmam que sejam.

(The way it was, it was) 
All of our plans have fallen through 
Sometimes a dream it don't come true

O céu está cheio de sonhos, mas eu não sei mais voar.

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