domingo, 30 de outubro de 2016

miss atomic bomb

ou mais um texto sobre autoproteção.

tem uma semana ou mais que eu tenho tentado escrever o que eu estou sentindo e, transformando tudo num clichê, não obtenho sucesso nenhum. eu passei por uma fase estranha, na qual estagnei, onde todas as coisas da minha vida pararam de fazer sentido ou eu tentei parar de entende-las. eu simplesmente desisti de encontrar a ponta do fio para endireitar minhas linhas tortas. 
eu tô com medo, eu tenho medo. sei que em algum momento eu fui a garota que tinha coragem de fazer o que queria, mas conforme eu fui crescendo e acumulando experiências, acabei me tornando o oposto do que era pra acontecer: eu me tornei uma medrosa. não sei mesmo aproveitar o momento ou se por ventura aproveito, dedico o dia inteiro, na maioria das vezes de ressaca, sofrendo e superando para eu poder prosseguir como se nada tivesse acontecido. 
acontece que eu tô num daqueles momentos que eu preciso encontrar e decidir escolhas para que, de alguma forma, as coisas façam sentido, mesmo que por pouco tempo. na verdade eu preciso encontrar minha segurança no meio de tantas inseguranças que me apavoram. eu odeio ter que tomar decisões sobre mim mesma.
eu sou boa em fugir, em fingir que as coisas não aconteceram, em engolir os próprios sentimentos, de fingir que tá tudo bem. de fingir que eu não tô sofrendo e que acredito que as coisas vão dar certo. sou boa em ser o oposto do que eu sou enquanto estou me matando mentalmente. sou boa em superar, em aceitar as condições. não sou boa em decidir. 
não tem sido um bom momento para os sonhadores, não tem sido um bom momento para mim que sempre inventava histórias antes de dormir para afagar a insônia. eu não consigo mais acalmar minha insônia, não consigo mais assistir filmes e séries, nem ficar sossegada ou me serenar. eu tô ansiosa, não me concentro em nada, não consigo emprego (nem me dedicar a isso), nem fazer meus cronogramas da faculdade para colocar todos os artigos e textos em dia. não tenho mais foco, não sei mais escrever sem antes tentar recomeçar esse texto dia após dia em uma semana. eu não tinha e nunca tive o rumo da minha vida, mas agora eu perdi as únicas coisas que eu conseguia controlar que me dava uma certa ilusão de que eu tava certa na minha caminhada.
ultimamente eu só tenho tido vontade mesmo é de chorar e sumir. único controle que eu tenho tido é o de escolher qual música eu ouço na qual eu ajustei o repeat e tô na minha décima quinta vez consecutiva entoando o refrão you're gonna miss me when I'm gone.

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