eu nunca me senti tão mal e desnecessária como estou me sentindo agora.
sim, eu faço ideia de que as coisas ditas sejam apenas porque estamos ambas estressadas e talvez no meio de uma discussão que só começou com a intenção de convencer você a manter a ameixa. ela faz parte da família. mas uma pequena, bem pequena, iniciação discursiva se transformou numa briga feia, gritaria, xingamentos e palavras que, pelo menos as que eu proferi, se fosse possível, não seriam ditas. mas foram. e elas machucam. talvez ninguém pense assim, mas pensou naquela hora e se o pensamento veio à tona, não foi a toa. agora, mais do que nunca, eu gostaria de poder desaparecer ou me encolher para o tamanho da minha insignificância.
jamais quis ser um fardo na vida de qualquer pessoa e não só por ser, mas também para significar isso para alguém. é deprimente. é exaustivo. eu tento ser e eu desejo muito ser algo além disso para você, mas eu não posso mudar quem eu sou e o que eu significo para você. não posso mudar como me olham, muito menos mudar a forma como você me vê. se eu sou a peste, como disse, me desculpe. eu nunca quis ser motivo de infelicidade para ninguém e muito menos infernizar a felicidade alheia. é que às vezes somos quem somos e nem sempre é algo passível de mudança.
eu não quero que você morra. eu não te odeio. eu não te acho ridícula, nem escrota, nem infeliz. eu não quero sua infelicidade. eu quero que você possa ser feliz. quero que seja bem realizada nessa sua nova fase de vida. só sinto muito por não poder ser quem você deseja. apesar de eu te amar, não só por obrigação como filha, nunca me senti a vontade pra ser quem eu realmente sou perto de ti, por renegação. realmente, sinto muito. mas eu preciso de muito mais do que recebo de você e eu preciso disso. eu preciso mais de você e talvez você não saiba disso. porque eu afirmar isso é como eu negar tudo que eu venho dizendo e é como dizer que você está certa quando você realmente sabe, eu sei que no fundo sabe, que não está.
eu sinto muito, principalmente como filha e por amor, mas eu não posso mais viver como estou. as coisas estão pesadas. eu estou infeliz. triste. melancólica. meu desejo maior é sumir daqui e nunca mais aparecer. meu sonho tem sido morrer. e isso não está certo. e eu posso sentir que só vai passar quando eu poder ir embora. e eu torço que, quando isso acontecer, nossa relação, em algum momento de nossas vidas, se estabilize e passe além dos bons momentos, mas algo estável. eu te amo, mas no momento você conseguiu fazer eu me sentir um detrito que o caminhão de lixo esqueceu de levar. e eu sei que não sou isso.
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