Ontem teria um show que eu havia sido convidada há umas semanas e estive tão ansiosa e animada a ponto de decorar as letras das músicas para não passar vergonha e sentir a leveza e emoção de cantar junto à banda. Já tinha pensado na roupa que iria, já tinha idealizado o momento e até mesmo a noite.
Nessa loucura de idealização, acabou acontecendo exatamente o oposto. A minha companhia não era mais minha companhia, a banda era só mais um lembrete de que tudo havia dado errado e a minha música preferida da mesma tinha uma letra que fazia sentido e lembrava tudo que eu estava sentindo. As coisas simplesmente desandaram em uma semana e eu me senti num abismo sem saída.
Apesar de tudo, eu iria ou não para o show? Acabei indo. Pensei bem e percebi que fiquei semanas me aprontando para o show e que, mesmo tudo errado, valia a pena usar aquela frase pronta que a gente usa quando precisa fazer uma loucura sem coragem: "seja o que tiver que ser".
No fim usei a roupa oposta que eu usaria - já que não fazia mais sentido usar a outra já que os planos seguiram outro rumo. Corri atrás dos ingressos em cima da hora (o que foi tudo ótimo, já que a banda foi super gentil e deixou-me pagar com promoção ainda!), chamei uma galera, respirei fundo e fui. Fomos eu e mais dois amigos super maravilhosos que se dispuseram para me alegrar e me tirar daquela fossa que ninguém merecia estar num sábado.
O lugar era super bacaninha, possuía um clima bom e pessoas estilosas (com muitas listras, inclusive eu). Estava um dia agradável com pastel do Fernando (ou seria de deus?), bebidas, sorrisos e uma alegria enganadora - a bad tava forte. Afinal, minha ex-companhia não havia ido até momento x e tudo estava ótimo. Eu sabia como me sentiria se o visse e sabia que por mais que eu quisesse vê-lo, naquele momento era inapropriado. Sabia o mal que me faria, mas deixei a vida me levar.

Depois de umas duas cervejas, várias idas ao banheiro e a banda introdutória ter apresentado, ele chegou. Minha amiga se apavorou e disse pra eu não me desesperar, mas que ele estava lá. E ao momento que eu o vi, não consegui mais desviar meu olhar. É tão involuntário, mas quando a gente gosta de alguém independente da situação encontrada, das circunstâncias e da relação, a gente sente e aquilo causa umas loucuras que pessoas sensatas não fariam. Claro, mantive minha performance de mulher sucedida que estava tudo bem, ignorei o fato de que eu ainda estava esperando ele responder a minha mensagem da noite passada que simplesmente foi visualizada e ignorada, e também deixei de lado que eu estava num lugar onde a banda dos amigos dele tocaria, a banda que ele recomendou, a banda pela qual ele havia me convidado ao show e sorri, normalmente.
A reação dele foi engraçada, ele olhou uma vez, olhou outra. Cantarolava as canções, ficou num canto isolado e aí ele acenou para mim (acenei de volta, claro). Passei a noite sorrindo com meus amigos, ignorando o fato de que eu estava bêbada e a raiva que eu estava sentindo quando na verdade eu só queria estar abraçada nele cantarolando as canções que eu havia decorado. Ele nem me olhou. Agiu normalmente e não demonstrou nenhuma reação sobre estarmos bem numa terça e mal numa quinta. Nem teve a sensibilidade de ter vindo dar uma justificativa viável, ou até mesmo um fim. Simplesmente, fui ignorada.

O cantor havia anunciado que começaria as músicas românticas e eu sabia que tocaria a canção que eu havia dito pra ele que era minha preferida e que falava sobre últimas chances, amores mal resolvidos... Claro, chorei em umas três canções, tentando sempre manter a compostura e demonstrar que estava tudo perfeito. Esconder o fato de que eu adoraria puxá-lo ali do meio de toda aquela gente e abraça-lo. Respirei fundo e guardei tudo aquilo pra mim. Afinal, eu não precisava dele.
Se tem uma coisa que eu aprendi é que quando a pessoa gosta da gente, ela demonstra. E também que a química acaba. Uma hora a gente gosta outra não. As coisas simplesmente mudam e tomam rumos estranhos. A gente se ajusta a eles por bem ou por mal. A gente apela pro álcool, pras companhias alheias, pras músicas tristes... A gente faz o que pode pra sobreviver e seguir em frente. A vida não para porque fulano não respondeu minha mensagem, ou porque ele não veio falar comigo no show. Ela continua.
E quando o show estava prestes acabar, e depois de eu me descabelar cantando Tim Maia e que eu gritava ao mundo inteiro que não queria dinheiro e só queria amar, dei tchau para ele. Sim, no fim, eu acabei passando por cima do meu orgulho e demonstrando que o certinho azul do whatsapp não me incomodava. Dei um abraço nele e disse que eu iria embora. O que mais me doeu naquela hora foi que talvez aquela fosse a última vez que eu falaria diretamente com ele.

Fui embora absurdamente louca, de mãos dadas com meu amigo, indo ao terminal a pé às 23 horas, toda andando torta e desabafando sobre o quão revoltada eu estava. Acabou que eu terminei a noite chorando no ônibus ouvindo Sentimental (Los Hermanos), chorando por no mínimo uns 20 minutos nos braços da minha mãe e ouvindo conselhos que eu passaria muitas vezes por aquilo ainda. Afinal, eu tenho 18 anos.
Adoraria dizer que eu não chorei por macho (como falaram) e sim pela falta que eu estava sentindo de uma pessoa que significa muito. Chorei pela saudade. Pelo que eu sentia. Choro pelos meus personagens de livros, de séries. Fico uma semana inteirinha de luto pelo médico-com-cabelo-maravilhoso que morreu. Choro pelas músicas tristes/ alegres. Choro quando quero chorar. O que difere chorar por alguém que eu gosto e está fazendo uma puta falta? Nada. Então se quiserem acreditar que eu chorei por macho, tudo bem. Minha mãe me compreendeu e a Terra continuou a girar.

Eu vou levando e descobrirei aonde isso vai parar. Uma hora a gente segue frente e (como a Clarissa disse) supera a partir do momento que decide o que merece.
(Abrindo um parêntese pra dizer que a noite não foi totalmente triste e mal. Eu recebi um elogio de "garota mais firmeza que foi convidada para o show" (o que me fez um pouco feliz) e comi pastel maravilhosamente de frango com catupiry!).
Gente, mas como você escreve bem o cotidiano! Gostei demais da conta do seu blog. Tô aqui rolando a barrinha pra te conhecer melhor e te achando ótima. (VOCÊ ME GANHOU NOS GIFS DE ONE TREE HILL. MUITAS SAUDADES DESSA SÉRIE!!111)
ResponderExcluirOlha, corações partidos sempre teremos. Pelo visto esse foi o seu primeiro (??) e vou te dizer: esse é o que vai doer mais. Criar expectativa em cima de relacionamento é uma cilada das grandes, mas isso só aprendi com o tempo mesmo. Meu relacionamento mais dolorido foi um que tive aos 16 anos e nem cheguei a ser namorada dele, mas né, foi o primeiro. Hoje estou com 22 e posso te dizer: dói, mas passa. Recomendo assistir o seriado Sex and The City pra curar o coração. E pode "chorar por macho" o quanto quiser. É um saco gente apontando dedo como se nunca tivesse passado por isso. Li certa vez que "a dor precisa ser sentida" e esse é o mais verdadeiro dos conselhos. Se você reprimir agora, nunca vai superar. Então chora, pragueja, mas saiba que quando você superar, será pra sempre. Um passo de cada vez, é assim que sempre andou a humanidade.
Boa sorte!!
Beijos :)
Ah, eu fico muito feliz que tenha gostado. E agradeço!
ExcluirEntão, esse não foi necessariamente o primeiro. Podemos dizer que sim. Foi o que eu mais me envolvi diretamente com a pessoa e o que mais está doendo (levando em consideração a forma como tudo acabou). Mas antes dele eu me envolvi numa relação quase platônica durante uns 6 meses e ele, de uma forma, me ajudou a superar... Então acho que ele é muito importante pra mim.
Eu recebi inúmeros conselhos bons, elogios de que ele não me merece (sempre bem vindos) e seja o que tiver que ser. Ninguém é obrigado ficar com alguém. E tenho fé de que essa sensação vai passar. Como dizem, agosto não é um mês fácil. Simplesmente acabou a química (para ele).
Li isso também hahaha. E concordo plenamente. Por isso choro, me descabelo, grito, como exageradamente, faço maratonas o fim de semana todo. É assim que eu lido com a superação.
Tentarei assistir, prometo! E agradeço muito por ter gostado. Uma hora isso tende passar (eu espero). Muito obrigada! Beijinhos.