Não vou esconder o fato de que sou o tipo de pessoa transparente que não se opõe e nem se incomoda em dizer, desabafar todos os problemas pra alguém. Também não possuo segredos e nem me importo quando opinam sobre minha vida, desde que não estejam dizendo coisas que não aconteceram ou estejam me importunando.
Eu andei pensando muito sobre como eu me sinto em relação a essa depressão que dizem que sofro, ou essa tristeza sem causa e, juro, que estou tentando fazer de tudo pra ela não vir e atrapalhar todas coisas boas que acontecem (pois eu tenho uma tendência de pegar todas coisas boas da minha vida e encontrar o lado ruim e acabar com a mágica que, talvez, elas possuíam anteriormente) na minha vida.
Acho que aceitei tanto que eu serei assim para sempre ou que ela não me afeta tanto quanto eu acho, que tenho aprendido a viver com ela e tenho lidado, mesmo que a cada novo dia seja mais uma nova decepção para minha lista. Acaba eu dizendo todo dia que a vida é mesmo uma droga e aceitando que ela é assim mesmo e batendo o pé quando dizem o contrário. E mesmo sabendo que a vida é assim porque eu faço ela assim (mesmo eu ainda não concordando com isso), eu prefiro pensar que eu sou só mais alguém nessa equação que recebe todas consequências.
A verdade é que eu nunca cheguei a pensar desde quando eu me sinto assim ou desde quando eu comecei a ser essa pessoa deprimente. Isso se tornou tão parte de mim que quando eu desabafo com alguém quando, de fato, isso está me fazendo muito mal, mais do que o normal, acontece da pessoa dizer algo como "novidade" ou como "você sempre é triste" e no fim eu acabar sozinha sem ter com quem conversar sobre realmente o quão aquilo está me incomodando.
Talvez o lado ruim de ser transparente é esse. As pessoas estão tão acostumadas a ouvir sobre minhas depressões, sobre as coisas ruins que acontecem, sobre aquele garoto que me magoou, sobre minha vida num geral, que se tornou algo indiferente para elas. Tanto que ninguém se importa, pois eu sou assim sempre: "que diferença faz?".
Eu não sei se isso é talvez uma crise de identidade. Geralmente tenho deixado meus pensamentos me engolirem que tudo mesclou-se e eu nem sei mais o que é importante na minha vida. Nem mesmo pelo qual eu mereço sofrer, mereço chorar, mereço valorizar. Tenho tratado tudo com tanta igualdade que deve estar tudo desigual. Eu tô tão perdida em mim mesma que nem sei mais a que ou a quem recorrer.
Se isso é apenas uma fase, eu não sei. Porém só consigo escrever sobre como eu me sinto muito mal e ouvir bandas melancólicas que indiretamente me influenciam e aguçam minha vontade de morrer. Às vezes eu me questiono se algum dia eu conseguirei mesmo ser feliz ou se isso é um estado permanente.
Eu não sei mais o que dizer sobre como eu me sinto, além de que isso está me perturbando muito e tem feito com que eu não enxergue mais beleza em tudo e sim como tudo parece uma escapatória para bem longe dessa realidade. Em como o lago parece ótimo para se afogar ou pelo menos ótimo para fugir de tudo um pouco.
Na verdade isso está me afetando tanto, pois acabei de dizer para meu amigo que se ele quer morrer, para ele se suicidar logo e, após ter dito isso, me arrependi muito. Não quero que ele morra e não quero viver minha vida medíocre sem as pessoas que eu me importo. Mas eu fui a pessoa que as outras pessoas têm sido para mim. Eu tratei isso como se fosse normal, já que eu ouço aquilo todo dia.
Agora eu entendo como é ser sozinha de verdade no mundo. Mesmo que todo mundo pareça se importar, é indiferente para elas. Sim, as pessoas sempre irão se preocupar, mas chega uma hora que todo esse drama cansa e elas seguem em frente. Todas pessoas seguem em frente e eu continuo com esse vazio. Com essa necessidade de sumir. E o pior de tudo isso é que eu nem sei por que eu me sinto assim.
Ontem eu estava me sentindo mais solitária que o normal e a única coisa que eu precisava saber é que eu não estava sozinha, de verdade, naquele momento. Mas acabou que eu terminei minha noite indo dormir cedo e chorando na cama com meus pensamentos perturbados para acordar mais um dia e viver como se as coisas estivessem normais e perfeitas.
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