sábado, 4 de outubro de 2014

Shot at the night

Fazer uma loucura na vida antes de morrer, é mais um item atônito da minha lista de coisas que eu tenho que fazer antes de morrer. É tão proposital você planejar fazer as coisas, e ainda mais esperar que elas aconteçam, mas além disso esperar que elas te surpreendam também. É possível algo planejado te surpreender? Bom, eu não sei.

Eu faço listas desde que eu me conheço por gente, elas me dão segurança pelo que eu quero ser, que eu tenho que fazer, que eu não quero saber, pelos meus defeitos e minhas qualidades. É estranho minha relação com "[x] Comprar uma câmera", mas, de uma forma, se eu colocar ali, naquela lista, "[ ] fazer uma loucura antes de morrer" é como se a loucura fosse mesmo acontecer. É uma segurança sem porque, ela apenas me protege.

Tenho pensado muito no que eu fiz nesses exatos dezessete anos, quatro meses, dezoito dias, algumas horas e uns tais minutos da minha vida inteira. Tudo bem que eu não faço nada, mas eu queria realmente fazer algo inesquecível, alguma bobeira nessa vida monocromática.

Não sei, as coisas acontecem, sei lá, quando você está esperando o ônibus e começa a chover. Ou quando você está procurando o álbum da sua banda preferida e você encontra, mas curiosamente ele não está lá.

Realmente eu não sei, mas acontecem e coisas assim te mudam para sempre. Mudam sua vida, quem você é, o que você quer. Eu sei disso porque eu aprendi que se o tempo estiver ensolarado, cheio de nuvens, ou o céu estiver cheio de estrelas, você leva o guarda-chuva com você mesmo assim. Ou se você for comprar o cd, você abre ele e olha pra ver se ele está mesmo lá.


Você pode comprar uma planta carnívora, mesmo que esteja com medo de que, inacreditavelmente, ela te morda. Ou pode perguntar pra menina da sua escola como ela pintou o quadro com fundo galaxia. Pode conhecer o pseudo-menino-que-pode-ser-seu-namorado no mercado. Ou perguntar o nome do menino bonito da loja Multicoisas, ou o da loja Melissa. O que estou tentando dizer é que pensar aliena, curiosamente, sua vida. Não estou dizendo para parar de pensar e fazer as coisas na loucura (só um poquinho), não. Porque pensar ajuda em muitos poréns da vida, mas estou dizendo para pensar um pouco menos naquilo que te trará experiências incríveis.

Confesso que eu sou a maior hipócrita de todos os tempos. Todas as coisas na minha lista eu poderia ter feito, mas por acaso eu não fiz. Eu tenho medo de algumas coisas bobas, que as vezes antes de dormir eu dou risada do quanto eu estou sendo babaca por estar com vergonha do que os outros vão pensar, ou qual o propósito de tudo. Não interessa. As pessoas pensam mesmo que você esteja vestida igual a elas, mesmo que você aja monotonamente à elas. Elas sempre vão dizer "olha aquela menina, quem ela pensa que é". Foda-se ser mais um rótulo.

Tudo bem, eu estou um pouco confusa pelo que estou dizendo. Mas estou muito cansada de ser mais alguém nesse mundo sem relevância alguma. Eu quero fazer uma diferença, não para o mundo me notar, foda-se o mundo e suas opiniões, eu quero fazer uma diferença para mim. Eu quero notar e dizer é isso aí, não preciso mais dessas listas bobas.

Eu quero fazer loucuras, viver, mas eu mal consigo escolher a roupa que eu vou vestir, quem dirá decidir sobre meu futuro, sobre exatos momentos presentes. Quem eu sou e o que estou fazendo com a minha vida?

Eu posso passar no vestibular daqui cinco anos, eu posso namorar daqui uns dez anos, posso fazer uma loucura daqui uns setenta anos. Ou eu posso passar no vestibular daqui um mês, namorar daqui, pelo menos, uns três meses, eu posso fazer uma loucura antes do dezoito. O que eu quero dizer, whatever, eu posso simplesmente deixar as coisas seguirem seus fluxos e aproveitar o que a vida está me dando agora, neste momento e não me esconder por trás delas.

Sempre vou reclamar, sempre vou chorar, sempre vou assistir meus dramas adolescentes com um pote de brigadeiro e chorar por aquela não ser minha vida, ou vou ver clipes do The Killers, de qualquer cantor que seja, e lamentar por aquela letra me lembrar tanto e me odiar por me identificar tanto com os porquês da vida. Independente se eu vou estar na Austrália amanhã, ou em Londrina ainda hoje, a vida pode me surpreender e eu posso dar um empurrãozinho. Não sei se você está me entendendo (e nem sei se alguém vai ler isso e entender), eu só quero que a vida me surpreenda com a minha previsível realidade.

[Give me a shot at the night; 
Give me a momeeeeeeenntttttt, some kinda mysterious]

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