domingo, 28 de setembro de 2014

I Don't Want To Be

É muito esquisita essa relação entre as coisas da vida. Passei esse dois dias desprezíveis, que eu deveria estar valorizando, assistindo One Tree Hill, reclamando da vida e tentando não comer tanto quanto eu queria.

Meus textos sempre têm suas finalidades que são explicitar o quanto eu estou tendo um dia, momento, semana, mês, ano de merda. Ou deixarem bem claro sobre o que estou sentindo, ou, mais preciso, sobre eu não saber o que estou, especificamente, sentindo. Em parte, eles não dizem nada mais do que a verdade sobre meus dias monótonos e, em outra, eles escondem a metade do que está acontecendo comigo.


Minha relação de sentimentos sempre foi complexa demais. Pode-se dizer que eu sou bem o tipo de pessoa que leva tudo para o pessoal, a que se apega tanto em alguém (tanto que não para de pensar se quer um segundo no que a pessoa está fazendo) e aquela que acha que as coisas vão se resolver com comida, filmes dramáticos, músicas com significados aparentemente nada irrelevantes e muitas lágrimas.

As coisas têm se intensificado tanto que eu tenho posto meu futuro e, também, meu presente em questionamento. Eu já não sei bem o que estou sentindo e agora, eu já não sei nem mais o que eu quero da minha vida, nem o que eu quero na minha vida também. Tudo tem chegado a um ponto onde eu tenho apenas deixado me levar e ver aonde isso vai me deixar.

Era para eu estar contente. Coisas boas têm acontecido. Pela primeira vez alguém demonstrou interesse em mim por eu ser apenas eu, sem precisar de qualquer esforço meu. Eu tenho meus amigos por perto, tenho a minha família, por mais desestruturada que seja. Eu tenho o cinema e as músicas. Tenho tudo que já desejei ter, mas tenho também a sensação de faltar algo.

Eu não sei mais quem eu sou, ou quem estou tentando ser. Se escrever é mesmo um talento? Pois nem ele mais eu consigo exercitar. Eu não sei se quero fazer jornalismo, se eu quero morar sozinha, se eu quero ir pra Austrália, se eu quero um namorado, se eu quero desabafar, mesmo que aqui. Eu não sei mais quem sou, ou quem pretendo ser.

Acho que de todos os sentimentos que eu tive, e por sempre tratar disso, essa sensação de estar uma galáxia obscura no peito e você não poder fazer nada, porque simplesmente não sabe o que isso significa, está piorando minha paz de espirito. 

Eu cheguei ao ponto de que eu não sei mais sobre o que escrever nesse texto, e até isso anda comprovando o que eu penso a respeito de quem eu sou. Jamais quis ser alguém que resolve as coisas com lágrimas, aliás, eu não quero ser esse alguém. E já que ele se tornou tão complexo, whatever.

Sinto falta da adolescência que eu vejo nos filmes. Festas, amigos, namoros, sonhos, faculdades. Sei que tudo não passa de atuações e estórias. Mas de uma forma, eles me fazem refletir sobre de que adianta eu estudar tanto para algo que eu nem sei se quero fazer mais. Ou do que adianta eu pensar e ficar com culpa de magoar as pessoas que eu amo, se elas me magoam e se quer pensam em mim. Só ando cansada de pensar e perder certas coisas que eu anseio tanto.

Eu sinto a falta da minha essência, sei que ela está aqui dentro de mim, mas estou cansando de procurar. Eu só queria ter apenas uma noite com um quê de mistério (como Shot At The Night, The Killers) ou fazer uma loucura que eu levaria para sempre e contaria para meus filhos (que eu planejo não ter). Queria que o inevitável acontecesse e que eu também não o buscasse tanto assim, pois, cá entre nós, é o inevitável, acaso, carma, destino...

Acho que quem lê meus textos sabe que eu sempre termino com algo positivo ou algo que eu planejo mudar em mim, ou nesses dramas. Deixamos que Gavin Degraw descreva o que eu não pretendo ser.

[I don't wanna be anything other than what I've been trying to be lately
All I have to do is think in me and I have peace of mind
I'm tired of looking 'round rooms wondering what I gotta do
Or who I'm supposed to be
I don't wanna be anything other than me]

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