Eu nunca soube o que dizer ou o que falar. Sempre fui aquela maluca que fala as coisas sem pensar e que pagava vergonha na frente do menino que morria de amor. Na verdade eu sou aquela maluca até hoje. Fui também a maluca entregou um copo d'agua pro mesmo tremendo e que quando ele puxou de leve para um canto no corredor idealizou de todas as formas possíveis o nosso primeiro beijo que logo foi interrompido por um pedido para avisar uma menina qualquer (que dias depois descobri que ele estava ficando com ela) que, por acaso, era da minha sala devolver a blusa dele. Não fiquei brava porque de uma garota que ele nem sabia a existência foi pra uma garota que ele sabia o nome, sabia onde morava, que foi na casa pedir um copo d'água, pediu um favor e conversava no facebook.
Juro, na mais pura verdade, que esse foi um caso louco de amor platônico que eu não me arrependo.
Lembro que eu sofria muito por essa paixão e mesmo assim não parava de amar (como se fosse possível). Chorei quando ele foi embora, quando ele, supostamente, beijou minha ex-melhor amiga, quando ele sabia da minha existência, quando ele sabia que eu tinha um piercing no septo e ao descobrir que ele morava na rua debaixo da minha. Acho que se teve algo que eu mais fiz nesse amor foi chorar, mas confesso que eu chorava por tudo.
Não sei, de todos os meus amores (dois no total), esse foi o amor mais louco da minha vida. Eu não sei, talvez tenha sido porque eu me apaixonei meio que a primeira vista, ou estranhamente pelos piercings na boca ou alargadores dele. Eu juro que não sei o que me fez ser loucamente apaixonada por ele. Foi algo tão de repente, de um encontro por acaso no ônibus até a descoberta que meu futuro colégio era o mesmo que o dele e eu estava apaixonada.
Vivi por dois anos desse amor e mesmo eu sendo uma tonta que só estava amando alguém que estava com uma garota diferente a cada semana, eu não ligava. Eu o amava e era o que importava. Conversávamos pelo facebook e eu me lembro de quando ele me disse que havia começado a trabalhar no Mcdonalds e eu ria muito dele dizendo que odiava tanto o uniforme ridículo, e eu, estranhamente, dizia que tiraria uma foto e postaria no instagram. Ficamos até a uma da manhã conversando, não havia feito nada a não ser ter ficado o dia todo esperando para quando ele ficasse online eu fosse lá puxar papo, ou encher mesmo.
Teve um tempo que eu pensei que ele gostasse de mim, ele me correspondia, chego a pensar se era ilusão minha, mas eu tinha certeza, na época, pelo menos. Era legal amar alguém no qual ninguém achava bonito, ninguém achava que tinha caráter e, esqueci-me de mencionar, o cara popular da escola. Eu confesso que sou uma bela fã de carteirinha de clichê, mas se apaixonar pelo cara mais popular do colégio é sacanagem, não? Não parece ser algo tão legal assim revendo por tudo que eu passei, mas nada importava.
Eu estava no primeiro ano do colegial e não existia vestibular, vida social e coisas do tipo. Só existia eu, meus passeios no shopping, cinema, minha amiga e ele. Esse era meu mundo. E agora eu sinto falta desse tempo. Porque depois do meu amor por ele acabar e automaticamente por motivos de outro amor ter surgido, eu sinto falta.
O amor que eu senti por ele não foi tão ruim quanto o meu último "amor". Esse foi um golpe sujo do destino, resumidamente esse foi um amor inexistente e mentiroso. Sem comentários.

Eu só escrevi esse texto porque no momento, incrivelmente, eu não ando amando ninguém (no sentido relacionamento e tal) e tenho pensado se isso é tão bom ou tão ruim a ponto de não ter com quem idealizar antes de dormir ou quem perder o sono. Acho que o destino quis assim, pois é o ano do vestibular e tenho certeza que ele é o relacionamento mais longo que alguém pode ter, e nem sempre reciproco. Eu só comentei também dessas experiências antigas pelo fato de eu estar escutando Times Infinity pela quarta ou quinta vez seguida e ela, a música, me traz memórias do Keith e da Natalie, o amor mais lindo que eu já vi em qualquer filme que exista e ela me trás uma vontade louca de chorar e de melancolia. Talvez seja porque é a música tema do amor mais lindo que eu já vi.
Agosto, 2014
Eu nunca sei dizer se a pior parte é estar apaixonada (por alguém que não corresponde, principalmente) ou não estar sentindo nada por ninguém. A intensidade do seu amor de primeiro ano do ensino médio é parecida com a do meu, que, aliás, também foi se encerrar esse ano. Parece que o vestibular é ótimo pra destruir paixões que fazem chorar, e eu ainda tô decidindo se eu amo ou odeio essa parte, hahaha.
ResponderExcluirAi, eu to cem por cento nessa. Não sei se amo ou odeio, mas o jeito é estudar né hfdfhfdiufhfdu
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