sábado, 14 de setembro de 2019

o insólito me abraça

estou ouvindo uma última música antes de dormir e fumando um último cigarro. no escuro tateio em busca do cinzeiro enquanto converso sozinha. tento compreender como tudo veio parar assim, nesse ponto. ainda não compreendo.
sinto sua falta todas as noites e lido com a sensação de tentar ser forte inúmeras vezes em que acho que vou falhar, você não merece meus sentimentos. não é digno do amor que eu sinto e que sempre foi verdadeiro.
sonhei com você hoje, foi bem realista, mais do que o usual. geralmente, quando sonho é sempre lúdico, as pessoas não possuem seus próprios rostos, eu flutuo, as casas e lugares são sempre trêmulas. mas, por algum motivo, esse não. meu sonho foi real.
eu fiz os mesmos caminhos, como costumava fazer, peguei o 311- Santa Rita, atravessei a mesma faixa e entrei em sua casa. batia na janela, desesperadamente, ninguém abria. você apareceu, estava bravo mas logo me acolheu. fumamos beck e conversamos sobre a vida, como costumavamos fazer. seu pai e seu irmão estavam lá. e eu tive que ir. peguei o beck que você sempre me dava quando eu ia, te disse adeus. você indagou "por que adeus?" e eu disse calmamente "porque talvez nunca mais eu te veja" e eu acordei.
desde aquele dia, eu nunca mais te vi. todos os dias penso se algum dia o verei novamente, mesmo que eu não queira por estar machucada. e, me disseram, que foi a maneira que meu inconsciente encontrou de te deixar partir. você não faz mais parte de mim.
eu passo os dias bem, eu leio e mantenho toda minha atenção na faculdade. eu ouço músicas o tempo todo. eu me controlo para não chorar a todo momento, pois cada um deles tenho essa vontade. eu respiro fundo. 1, 2, 3... mas as noites são complicadas, elas chegam e eu perco meu sono. e são nelas que eu me entrego e permito chorar por você, incessantemente.
a dor que eu sinto é indescritível, pois depois de tudo, eu me sinto avulsa na minha própria existência. é como se eu estivesse chapada o tempo todo, mesmo sóbria. eu me perco em tentativas inúteis de te esquecer e deixo meus pensamentos me levarem. é como se eu estivesse em outro mundo, vivenciando uma outra vida que não a que estou vivendo. não presto atenção em nada.
tocaram uma sequência de músicas que ouvíamos juntos enquanto eu escrevia essas palavras, essas mesmas que você nunca vai ler, a minha essência que nunca mais vai te pertencer. você estragou tudo que havia de bom entre nós e eu te culpo por isso. apesar de ainda te amar, nosso amor pertenceu somente a mim e só eu tenho propriedade para ter tanto pesar, você não.

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