sexta-feira, 2 de junho de 2017

meu fardo

dentro tudo que eu tenho a dizer, sempre se trata do quão minha vida anda uma merda. talvez seja essa minha perspectiva de ver as coisas quando elas não se comprometem nem um pouco com o que eu esperava ou ao menos, nem que seja mínimo, próximo delas. 
eu achava que tinha amadurecido muito desde ano passado, desde os anos passados. pensava que havia aprendido a lidar muito mais com minhas crises ou com a banalidade que eu vejo todo o resto do mundo. mas lendo meus textos anteriores, sobre meus amores não-recíprocos, minhas angústias e palavras que eu não soube expressar muito, notei que eu ainda sou a mesma pessoa que tinha 14 anos quando criou esse blog pra fugir um pouco do fardo de desabafar tudo o que sentia para os outros. 
ainda não sei muito bem como será meu futuro, deixo a incerteza dele me angustiar cada vez mais e sufocar esse aperto no peito. não sei, também, como ser somente eu no presente e viver minha vida sem complicar tudo demais. acontece que eu realmente não sei de nada e nunca aprendi alguma coisa dentre todos esses anos.
a única coisa que eu mais tenho acumulado é amargura. eu odeio meu emprego. digo isso com tanta convicção porque eu odeio mesmo. eu nunca fui tão infeliz em toda minha vida, só não largo porque eu realmente preciso dele. ele tem esgotado qualquer vontade que eu tinha de continuar cursando a faculdade ou de sair com meus amigos ou de ver séries, ler livros ou qualquer outra coisa que eu sentia um prazer incabível. eu só quero dormir. 
tenho sentido que eu me tornei tanto adulta, mas que ainda permaneço adolescente. sinto que sou uma adolescente presa no corpo de uma pessoa com responsabilidades de gente adulta. eu tenho me adaptado. eu tenho só suportado. às vezes eu só encosto a cabeça na janela do ônibus e olho o céu sem pensar em nada, às vezes esses são os únicos momentos que eu sinto paz. e são esses mesmos momentos que eu não entendo o motivo de eu suportar viver uma vida que eu odeio tanto, mas que mesmo assim insisto continuar vivendo.
talvez toda essa tristeza seja um acúmulo de todas minhas decepções. e eu sou péssima em superar qualquer uma delas. só penso nelas inúmeras vezes ao dia até que eu mesma me canse de tão cheia das mesmas que eu me sinto, não consigo parar de pensar que eu sou meu fardo. que vou me puxando cada vez mais para baixo. sinto que eu, às vezes, quero me desafiar e mostrar que eu posso me colocar mais no fundo do poço que estou e quando me dou conta eu penso: que tipo de pessoa quer se ver triste??????? 
são coisas que eu nem sei escrever mais sobre, até do que eu gostava de fazer eu afastei. nem sei se quero ser mais escritora. eu só quero dormir, chorar, comer bobeiras e ouvir músicas melancólicas e isso não é vida. 

eu iniciei uma coletânea de textos sobre eu não saber mais quem eu sou e não sei como acaba-la. eu nunca sei de nada.

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