eu já escrevi um texto sobre outra pessoa com esse título, eu já escrevi um poema sobre mim mesma também com esse título e agora estou escrevendo esse texto sobre você com esse título.
eu gosto muito de teorias que falam sobre acasos, sobre como uma coisa pode mudar o rumo ou sobre como todas nossas decisões importam e influenciam no nosso futuro. estive o dia todo pensando nos acasos que me levaram à você e sobre plantas, porque você sabe que eu gosto muito de plantas e que nossa casa seria repleta de todos os tipos dela. esses pensamentos me fizeram refletir sobre você.
nós acontecemos talvez numa época errada, da forma errada e dessincronizados. ou talvez deveria ser assim, a verdade é que nunca saberemos o motivo de todas as coisas acontecerem como acontecem, a opção mais viável é: porque tinha que acontecer. mas as vezes ainda podemos acontecer de novo e nos reinventar mais uma vez. não sei, não imagino como seremos no futuro ou se nos cruzaremos novamente ou permaneceremos os estranhos que estamos nos tornando. nunca saberemos.
mas acontecemos, isso eu posso afirmar. como eu repito a dizer, numa época errada e duma forma errada, mas acontecemos. e eu acredito que foi fruto do acaso, mas não foi por acaso. você podia ter pertencido à minha amiga ou talvez você me daria nop no tinder, você também podia ter dado like e não ter vindo falar comigo (eu não falaria com você por ser tímida demais pra iniciar uma conversa com algum menino), sei lá, tinha inúmeros acasos que poderiam ter ocorrido que evitariam o que viria a existir: nosso pequeno tempo em que utopicamente fomos nós. eu e você. mas aconteceu, todos acasos contribuíram para que existíssemos e que nossos caminhos se cruzassem.
não deu certo. tudo bem. demorei pra aceitar que tem coisas na vida que não serão da forma que desejamos, mesmo que a gente queira muito que fosse. eu ainda não aceitei bem, mas tô aprendendo a lidar com isso. mas aceitei que, apesar de ter tido muitas coisas que me fizeram mal desse tempo que persistimos em não nos extinguir, sou grata por ter te conhecido. talvez eu estaria menos sofrida como estou agora, mas também talvez eu poderia estar. a questão é: você serviu pra eu enxergar coisas que eu não enxergaria sem você. coisas como eu estar tão perdida e carente pra permitir me sentir mal e aceitar que isso tá bem quando não tá. aceitar o pouco que me dão por acreditar que eu não mereça mais do que o minimo quando eu mereço. acreditar que eu nunca sou o suficiente para outro alguém quando eu preciso somente me bastar. eu não vivo uma vida para os outros, eu vivo uma vida para mim e é isso que eu deveria me focar.
no momento eu não sei mais quem eu sou, nem como eu vim parar aqui e sem entender os motivos que eu abandonei minhas séries, meus filmes, meu livros. abandonei minhas manias, minha rotina, meus gostos singulares. os motivos pela qual eu me abandonei. eu preciso me encontrar. preciso ir e me reconhecer (obrigada, anavitória, pela musiquinha do meu momento) para talvez te reencontrar no futuro ou encontrar outro alguém ou simplesmente conviver sozinha. eu preciso me equilibrar e encontrar um pouco da minha essência pra não culpabilizar a vida pelos acasos, principalmente pelos que me levaram à você.
acontece que agora está tudo bem pensar em você. eu penso muito. durante todo o caminho no ônibus, no banho enquanto a água escaldante me faz querer chorar, quando encosto na porta do banheiro na pausa de 10 minutos no emprego, sentada na mesa encarando os prédios durante o almoço ou essa necessidade irritante de comentar sobre você durante 24 horas com meus amigos. eles não aguentam mais. mas está tudo bem, todo nosso sentimento tem um tempo pra durar, alguns mais do que deveriam, porém fora do nosso controle. tudo bem eu abster de ver você com outras e querer acreditar que não é real e fingir que eu estava bem quando por dentro eu estava morta. tudo bem eu segurar o choro por lembrar que eu tô beijando lábios - que não são os seus - bêbada para lidar com o fardo de que não são suas mãos tocando meu cabelo enquanto as línguas se roçam. tudo bem eu lembrar de você toda. porra. do. tempo. e ter que ver você em tudo do meu dia, porque eu compartilhava todo meu dia com você. as músicas que eu ouço são as que eu te indiquei e elas não soam mais como antes, elas me lembram você. nem meu suco preferido fugiu das nossas lembranças. tudo bem não estar bem, não posso fingir que você não está fazendo falta quando está muito.
bem, talvez um dia quem sabe isso não seja só mais um texto com um título igual aos outros - que atualmente não me reconheço neles, ou seja algo que eu guardarei no coração. não importa. tudo bem eu te odiar por eu gostar tanto de você ao mesmo tempo. nossa história não foi bonita. não foi romance sessão da tarde. não foi nenhum livro do nicolas sparks. nenhuma canção do barão vermelho (amor, meu grande amor). estamos mais para uma música do nx zero em que toda carta que eu escrevo é sobre você e não adianta fingir que estou bem quando não estou. e está tudo bem, porque você é só mais um garoto que o acaso me trouxe e eu não sei se no futuro vai permanecer, afinal, imprevistos acontecem o tempo todo.
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