sábado, 17 de dezembro de 2016

sintetização do sentir

eu sinto muito por você estar chateado e me ignorando. acordei horas atrás com um sonho, nele você me respondia e era aberto sobre o que sentia por mim e quando eu acordei, fiquei esperançosa e abri o messenger esperando que uma das 4 mensagens que eu recebi na madrugada fosse sua resposta para meu "oiii", mas nenhuma era. tudo bem, você tem esse direito.
eu nunca quis piorar as coisas, justamente no seu aniversário, eu queria era que você tivesse tido uma noite agradável e que eu tivesse feito parte (não como eu fiz), de uma forma boa que remetesse à pensamentos bons. sinto muito, não fiz por mal.
eu planejei te escrever um texto de parabéns, mas eu li o texto que sua ex-crush escreveu para você e, de alguma forma, diminui meus sentimentos e fiquei triste por não ter tido grandes momentos com você como pareceu que ela teve. eu não me senti no direito de escrever um textão de aniversário pra você já que a maioria de nossos momentos aconteceram no messenger ou ambos bêbados numa balada qualquer dessa cidade inusitada. mas cá estou eu escrevendo o que eu sinto por você, não necessariamente para você, mas ciente de que você possa ler. eu não consigo apenas ignorar o que estou sentindo por você sem transformar isso no meu drama pessoal através das palavras.
eu não escrevi um textão de aniversário, mas te escrevi um poema, vários poemas na verdade, mas nenhum deles descreveu tão bem o quanto eu sinto por ti. eu não te enviei por insegurança, tantas mensagens lindas que você recebeu de aniversário e eu te dando momentos desagradáveis no dia e um poema, soou mais do que banal para mim. a poética do banal.

entre linhas escritas
perdidas na vastidão
me limito em cada
gênero
pensar em ti.

eu estou estudando sobre gêneros textuais na faculdade. gêneros textuais são entidades comunicativas que se materializam em textos, são flexíveis e relativamente estáveis (não que isso importe). gêneros são contos, crônicas, emails, mensagens de textos, tuites, poemas, entre outros que podem estar inseridas nas nossas esferas de vida. todos eles trazem uma relação particular minha: em todos eu penso em você. não que eles me lembrem você (apesar que a maioria dos meus gêneros textuais da minha esfera cotidiana ter você como denominador comum), mas eu estava pensando em você em todas elas. quando eu escrevia meu conto, quando eu estudava para prova, quando eu tuitava alguma paranóia minha. eu estava justamente pensando em você.
pensei em te mandar o poema como um presente, porquê, duma forma engraçada, nunca havia conseguido sintetizar o que eu sentia em tão poucas palavras e mesmo assim tão significante quanto eu tivesse escrito um textão (como esse, é mais forte que eu). poucas palavras que tiraram, por alguns segundos, esse sufoco do meu peito. sintetizaram meu sentir. mas não consegui te mandar. enviar isso significaria abrir todo meu ser para você, me declarar e correr o risco de negação. e não sei se estou preparada para você me negar.
agora parece um tanto insignificante ter medo, levando em consideração os últimos acontecimentos e esse silêncio que me sufoca, me apavora, entre nós. não temos frequência para ficarmos calados e estranhos um com o outro, mas estamos mantendo isso por longos dois dias. e não sei se eu tô lidando tão bem assim, se for ver bem eu não estou lidando, mas estou tentando te dar um tempo, apesar de estar lutando contra minhas palavras - e por esse ser um dos motivos de eu estar escrevendo esse texto para ti. 
eu espero que você fique bem, eu espero que nós possamos ficar bem. um com o outro, você comigo e eu com você. espero que ninguém mais se intrometa e que se tenha que intrometer, que seja nós dois. nossa opinião importa. a sua opinião me importa. de qualquer forma, eu criei a extensão do poema.
não gosto de esconder o que eu sinto e ter que vir aqui no meu blog escrever quando mentalmente estou escrevendo pra você. não gosto de ter que me xingar por ter tido atitudes que nos levaram a isso. não gosto de ter que fingir que eu não te vejo online e que meu oi não foi visualizado. não gosto de encostar a cabeça na janela do ônibus e lembrar, quando fecho os olhos, do teu cheiro inebriado, do seu cabelo desgrenhado e de você me olhando, sorrindo, disfarçando o olhar e me dando um selinho rápido. eu não gosto de ter que repelir esses pensamentos porquê pensar neles dói. não gosto de imaginar que talvez algum dia eu não os tenha novamente, e se tiver, que seja como lembranças. não gosto da ideia de te superar. eu gosto de gostar de você.

me limito, todos os dias, todos os segundos, acordada e em sonhos, pensar em ti.

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