De um bom tempo pra cá, tenho criado obstáculos sobre a pessoa "transparente" que eu sou. Nunca pensei que isso fosse algo ruim e que viesse a calhar. Até talvez as pessoas acharem que me conhecem pelos meus textos que escrevo ou talvez pelos meus próprios desabafos.
Eu sou muito transparente sim, eu conto sobre o que estou sentindo, quando não, no minimo, digo de uma forma sutilmente enrustida (indiretas). Eu sou assim, sou sincera sobre quem eu sou, falo dos meus sentimentos abertamente e as vezes dou tanta importância para coisas inúteis que, até mesmo, posso está fadada a ser: fútil.
Não que seja tão ruim ser assim, mas tem me incomodado. As pessoas saberem o que eu sinto e o que eu sou e me julgarem de uma forma tão indiscreta quanto direta, me incomoda. Ninguém me conhece, ou ninguém poderia me julgar a ser quem eu não sou.

Eu sou impulsiva, falo as coisas que eu penso sem nem pensar em não fala-las. Tenho ações estúpidas, indiretas diretas, pensamentos nada sutis, idealizações que jamais poderiam acontecer, desejos inalcançáveis (talvez até alcançáveis), paixões inapropriadamente platônicas.
A verdade é, eu tenho tido ações que estão me prejudicando e fazendo as pessoas pensarem o que não sou e isso está me prejudicando. Não sou louca, não preciso de psiquiatra. Talvez eu seja um pouco e talvez precise, mas as pessoas não precisam saber disso. Eu mesmo posso ter noção de quem eu sou, por mim mesma e sozinha.
Essa revolta está vindo a tona porque ontem eu fiz uma pequena manifestação dos meus sentimentos através de indiretas e digamos que sutilmente pra alguém que eu não deveria ter feito isso. Eu bebi, confesso que boa parte da coragem veio do alcool, e fiz merda. O problema não é ter feito isso (porque eu sou nada discreta quando estou me apaixonando), e sim estar sendo ignorada por talvez ser quem eu sou. Ou aparentar quem eu sou. Porque eu descobri que se você não tiver uma aparência dotada de belezas, você está um pouco fora do jogo.
Eu sempre estive fora do jogo em questões de belezas. Não sou perfeita, muito menos bonita. Talvez eu já tenha agradado um ou outro, mas nenhum dos que eu queria, de fato, ter agrado.
To com medo, não quero que minha beleza afaste ninguém. Ou que também me julguem pelos meus problemas, pelo meus textos e pela minha beleza. Ninguém me conhece tão bem assim pra me afastar do nada. Eu não entendo os motivos, não sei porque precisa disso, mas isso está me afetando tanto. Não consigo fazer mais nada, a não ser acreditar que eu seja o motivo desse afastamento. E eu não quero ser o motivo.
Demorei a acreditar que estou me apaixonando de novo, talvez depois da minha última experiência e do vestibular, pensei que o amor tinha sido algo que passou por mim e foi. Porque, acreditem, ele nunca fica em mim e nunca faz alguém vir à mim. Eu tenho medo de me apaixonar e me magoar, como sempre acontece. Querendo ou tentando acreditar que não, isso está acontecendo e eu estou magoada. Sinto que não sou boa o bastante pra ninguém. E eu juro, na mais pura verdade, que eu sou eu, somente eu.
Por motivos estritamente sentimentais, eu não vou ser mais essa pessoa transparente, impulsiva e sem noção da realidade. Não posso mais beber e falar o que eu penso, não posso mais contar pra ninguém como me sinto. Se eu estiver triste, que seja, estarei bem sempre. Então, como mais um item das coisas que eu tenho que fazer antes de morrer, não ser mais transparente é o mais importante dela.
Se esse texto algum dia vir a calhar, e alguém importante ler, não vou pedir mais desculpas por coisas que eu não fiz ou sem motivo algum, nem para o bem estar de alguém e não vou, vez nenhuma, ficar triste por um fora de alguém que não me ama (talvez se ele me amar). A vida é muito curta, e mesmo que eu diga que "a vida é uma droga e depois você morre", não vale a pena chorar por outras pessoas e se limitar a ficar trancada no quarto olhando pro teto e ouvindo músicas melancólicas.
Agora, antes de mais nada, eu garanto que essa pessoa que está escrevendo agora, já era. Eu vou tentar com toda força de vontade do mundo mudar e completar minhas listas. Não preciso ser feliz ou me sentir feliz, preciso apenas de momentos que me tragam momentâneas felicidades.
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